Palavra do Presidente: Como Está a Advocacia?


E aí, como está a advocacia? Com tantos cursos de direito criados pelo MEC à revelia da necessidade, somados ao desprestígio pela falta de valorização, dos magistrados que arbitram honorários irrisórios, a advocacia tem frustrado aqueles que atuam com ética. As limitações sobre o uso das redes sociais e o marketing jurídico tem sido causa de acalorados debates entre aqueles que discutem avanços na busca por clientes e nas formas de apresentação de seu nome, especialidade e endereço.

Ao passo que se busca a capacitação e o empreendedorismo, a advocacia iniciante e mesmo os mais experientes se deparam com um mercado dominado por grandes captadores de clientes que, literalmente, pescam clientes na internet com investimento pesado em “panfletagem virtual”. A captação de clientes vai muito além das publicações de 500 melhores e prêmios duvidosos, os grandes investem pesado nas redes sociais e nas pesquisas de potenciais clientes, causando uma competição desigual.

Na minha opinião, nesses quase três anos à frente de uma Subseção da OAB, é que devemos liberar a captação de clientela nas redes sociais e outros meios de comunicação, não é mais possível ignorar que a advocacia mudou, o advogado não pode ficar preso às subjetividades do Código de Ética da OAB, deve ter o direito de divulgar seu trabalho e o êxito em ações tanto quanto já vem ocorrendo com figurões de determinadas áreas, basta acompanhar as redes sociais e a publicização toda vez que eles obtém êxito.

E aí, o que queremos do futuro da advocacia? É preciso lançar uma forte campanha de valorização da profissão junto a magistrados e outras autoridades, os honorários não podem ser tratados com descaso ou arbitrados ao mero acaso como tem ocorrido. Em relação ao marketing o advogado brasileiro pode não receber bem o formato americano, mas é preciso evoluir ou seremos vencidos por um sistema desconexo da realidade, em que alguns podem tudo e aos demais o rigor do Código de Ética. É urgente frear novos cursos de direito como foi feito com a medicina, os advogados precisam se unir e lutar juntos pelo futuro da profissão, pois a advocacia hoje projeta um futuro sombrio para uns e iluminado para outros, basta analisar o mercado.

Jaiderson Rivarola
Presidente da OAB/PR
Subseção de São José dos Pinhais