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jan

JANEIRO BRANCO: Saúde Mental – Por JÉSSICA DE ANDRADE QUEIROZ TACHIBANA CORREA, VICE-PRESIDENTE DA COMISSÃO DE DIREITO À SAÚDE


“O impacto da pandemia na saúde mental das pessoas já é extremamente preocupante. O isolamento social, o medo de contágio e a perda de membros da família são agravados pelo sofrimento causado pela perda de renda e, muitas vezes, de emprego”.[1]

Começamos esse informativo com as palavras do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, em meados de maio de 2020, ainda no início da pandemia do novo CORONAVÍRUS, que assola o mundo.

No Brasil, milhares de pessoas foram infectadas, permaneceram isoladas, perderam seus empregos, ficaram sem perspectiva, tiveram e permanecem com medo. Nesse panorama, a saúde mental igualmente, restou muito prejudicada e, os impactos a médio e longo prazo ainda estão por vir. Afinal, o isolamento social, o medo e as incertezas são catalisadores para os sintomas ansiosos e depressivos.

Estima-se que a maior taxa de depressão do continente latino-americano está entre os brasileiros, impactando cerca de 12 milhões de pessoas.[2]

Dito isto, vamos entender o que significa o Janeiro Branco e seus objetivos?

Bem, o Janeiro Branco é uma campanha que convida as pessoas a refletirem sobre a saúde mental. O objetivo é colocar esse tema em evidência, promover a conscientização sobre a importância da prevenção ao adoecimento emocional, algo que gera impactos preocupantes em nossa sociedade.

Para o indivíduo, busca incentivar a autorreflexão sobre a própria vida, seus sentidos e propósitos.

Já a nível institucional, objetiva-se reforçar a importância de uma mudança de comportamento e mentalidade em vários níveis da nossa sociedade, seja por intermédio das mídias, das instituições sociais, públicas e privadas, e dos poderes constituídos, públicos e privados.

Quanto aos objetivos do Janeiro Branco, a campanha estabelece 05 metas específicas que norteiam suas atividades:

  1. Tornar o mês de Janeiro um marco

A proposta é a fazer do primeiro mês do ano um período de reflexão, debate, planejamento e proposição de ações em prol da saúde mental.

  1. Chamar a atenção para o tema

Promover o debate do tema em diversos aspectos: do que se trata, quais as principais doenças, de que forma elas afetam as pessoas, como lidar com elas, onde buscar apoio.

  1. Aproveitar a simbologia do “Ano Novo”

O Janeiro Branco assume como meta inserir nesse debate a questão da saúde mental. Com as pessoas mais dispostas a refletir sobre as próprias vidas, o momento é mais propício para a abordagem do assunto.

  1. Espalhar a mensagem pelas instituições

Faz parte dos objetivos da campanha conquistar o engajamento de instituições de todos os tamanhos e setores.

  1. Fomentar uma cultura da saúde mental

Contribuir para a formação de uma sociedade que valorize a saúde mental é também uma questão central na campanha. Isso fortalece o autocuidado entre as pessoas e, consequentemente, impulsiona a criação de políticas públicas para ajudar a população.[3]

Assim, destacamos os problemas de saúde mental mais frequentes:

  • Ansiedade;
  • Mal-estar psicológico ou stress continuado;
  • Depressão;
  • Dependência de álcool e outras drogas;
  • Perturbações psicóticas, como a esquizofrenia;
  • Atraso mental;
  • Demências.

Ao longo da vida, todos nós podemos ser afetados por problemas de saúde mental, de maior ou menor gravidade. Algumas fases, como a entrada na escola, a adolescência, a menopausa e o envelhecimento, ou acontecimentos e dificuldades, tais como a perda de familiar próximo, o divórcio, o desemprego, a reforma e a pobreza, uma pandemia mundial; podem ser causa de perturbações da saúde mental. Fatores genéticos, infecciosos ou traumáticos podem também estar na origem de doenças mentais graves.

As pessoas afetadas por problemas de saúde mental são muitas vezes incompreendidas, estigmatizadas, excluídas ou marginalizadas, devido a falsos conceitos, que importa esclarecer e desmistificar, tais como:

  • As doenças mentais são fruto da imaginação;
  • As doenças mentais não têm cura;
  • As pessoas com problemas mentais são pouco inteligentes, preguiçosas, imprevisíveis ou perigosas.

Estes mitos, a par do estigma e da discriminação associados à doença mental, fazem com que muitas pessoas tenham medo de procurar ajuda e de se submeter ao devido tratamento.

Contudo, destacamos que o tratamento deverá ser sempre procurado, uma vez que a recuperação é mais eficaz quando mais precocemente for iniciado o tratamento. Mesmo nas doenças mais graves é possível controlar e reduzir os sintomas.

Para tanto, precisamos saber como lidar com elas. Para manter uma boa saúde mental:

  • Não se isole;
  • Reforce os laços familiares e de amizade;
  • Diversifique os seus interesses;
  • Mantenha-se intelectual e fisicamente ativo;
  • Consulte o seu médico, perante sinais ou sintomas de perturbação emocional.

E lembre-se, todos nós podemos ajudar:

  • Não estigmatizando;
  • Apoiando uns aos outros;
  • Reabilitando;

Nas palavras da psicóloga Karen Martins Pinheiro, mestre em Psicologia Social Comunitária, “A pandemia nos fez olhar para coisas invisíveis. Dar atenção para sentimentos como saudade, medo, raiva, tristeza, solidão, esperança, bem como receber apoio e suporte de pessoas que nem imaginávamos, fez com que em 2020 ficasse marcado como o ano de olhar para nossa saúde mental.

Sabe o que é mais “maluco”? Para uma perna machucada fazemos um raio-X e vemos o osso quebrado. Contudo, para mudanças no nosso estado emocional não existe máquina que possa nos radiografar “por dentro” e dizer: “você precisa diminuir o estresse”, “lembra daquele trauma de quando você tinha 6 anos…” ou “Hoje a ansiedade que você carrega no peito tem origem lá no passado.”

Esse é um caminho que só pode ser percorrido por cada um de nós.

E para buscar apoio e ajuda, há vários lugares que podem auxiliar caso não se sinta bem:

  • Unidade Básica de Saúde – Você poderá conversar com qualquer membro da equipe que orientará e direcionará para as melhores condutas.
  • Centros de Atenção Psicossocial – CAPS são locais com equipe especializada para atender crianças e adolescentes, pessoas com transtorno mental ou para pessoas que fazem uso/abuso de álcool e outras drogas.
  • Unidade de Pronto Atendimento – UPA – atende casos de urgência e emergência (quando a pessoa está se colocando ou colocando outras pessoas em risco);
  • Ainda, no município de São José dos Pinhais, há o serviço especializado para casos que envolvem violência sexual o Ambulatório Sentinela e;
  • Casa Verde – Centro de Referência do Adolescente: atende adolescentes entre 12 e 18 anos oportunizando a vivência em diferentes oficinas, reforço escolar e/ou apoio psicológico.

A pandemia também nos mostrou que a felicidade está muito além dos bens materiais, que precisamos de contatos verdadeiros, conversas, beijos e abraços. Desta forma, o convite é que nas metas colocadas para 2021 também estejam mudanças que melhorem a sua qualidade de vida. Mudanças capazes de melhorar seu ânimo, sua vontade de viver, ações, atitudes que aumentem sua sensação de bem-estar e felicidade.

Por: Jéssica de Andrade Queiroz Tachibana Correa – Vice-Presidente da Comissão de Direito à Saúde da OAB/SJP

 

[1] Policy Brief: COVID-19 and the Need for Action on Mental Health

[2] https://hospitalsantamonica.com.br/ansiedade-e-depressao-na-pandemia/

[3] https://saudenaempresa.sesirs.org.br/janeiro-branco/


Uma resposta para “JANEIRO BRANCO: Saúde Mental – Por JÉSSICA DE ANDRADE QUEIROZ TACHIBANA CORREA, VICE-PRESIDENTE DA COMISSÃO DE DIREITO À SAÚDE”

  1. Vera Alice S Porfirio disse:

    Muito bom!!!

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