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01
maio

DIA DO TRABALHO


O TRABALHO E O TRABALHADOR EM MEIO A CRISE PANDÊMICA

 

“O que você quer ser quando crescer?”  desde muito pequenos somos avassalados, com uma série de perguntas de todas as montas, acerca do caminho que tomaremos em nossas vidas, e sobre o âmbito profissional dispara na frente.    É o início da nossa relação e primeiras impressões sobre o trabalho.  Com a criação de uma visão um tanto romantizada sobre o trabalho, faz com que respondamos algo que se sonha: advogado, médico, engenheiro, bombeiro, policial.   Mas com o passar dos anos, a vida de cada um daqueles sonhadores profissionais toma rumos diferentes, e o sonho dá lugar a necessidade de prover a família, de manter as contas em dia, levar o sustento de seus dependentes.

Desenvolvida por escravos, visto como atividade degradante e humilhante, a palavra “Trabalho” remete a tripalium, associado a tortura.   No Brasil a história do trabalho é marcada pela escravidão, desigualdades sociais, gênero e raça.   Nesta esteira denota-se que o período da escravidão tenha deixado marcas profundas, podemos dizer que temos mais tempo de trabalho realizado de forma escrava, do que de forma livre.   Em suma, tem-se que as definições de “Trabalho” ao logo do tempo carregam uma certa ambiguidade, mas nossas relações com o trabalho e tudo que nos cerca, está mudando o tempo todo, porém outras permanecem inertes.

O 1º de Maio é conhecido em grande parte do mundo como o dia internacional do trabalhador, e nesse dia os trabalhadores ganham um recesso do trabalho.  Porém o surgimento dessa data comemorativa, está relacionada a muitas lutas reinvindicações dos Trabalhadores em séculos passados.

E tudo começou lá em Chicago em 1886 onde houve uma grande manifestação em prol de melhores condições para os trabalhadores, nessa época a jornada de trabalho era de mais de 12 horas sem segurança e com salários indignos.   Uma das reivindicações era pela jornada 8 horas de trabalho, o qual baseavam-se na seguinte ideia, um dia tem 24 horas, se trabalhassem por 8 horas, restavam 8 horas de lazer e 8 horas para o sono, e assim teriam uma melhor qualidade de vida.   Porém para garantir melhores qualidades de vida, todos tiveram que sair para as ruas e fazer um grande protesto, que começou em 1º de maio e foi até o dia 4 de maio daquele ano de 1886, apenas sendo considerado como feriado apenas em 1919 na França.   No Brasil o feriado começou por conta da influência de imigrantes europeus que em 1917, onde a cidade de São Paulo protagonizou uma das maiores greves Gerais já registrada.   Porém foi apenas em 1924 que o até então Presidente Arthur Bernardes, consolidou o 1º de Maio em um feriado nacional.   Na Era Vargas que durou de 1930 a 1945 o então Presidente Getúlio Vargas, passou a considerar o 1º de Maio como o Dia do Trabalho e não do Trabalhador.  Com muita festa e desfiles, Vargas nesta data anunciava as principais medidas e benefícios em prol dos trabalhadores.

 

Em tempos atuais, com a súbita chegada e o crescente alastramento da pandemia de Covid-19, trouxe em âmbito global luto, taxas altíssimas de desemprego no país e no mundo, bem como um cenário econômico-financeiro em constante declínio.   Mas por outro lado, preconiza-se uma nova realidade mundial, em várias esferas do conhecimento, socioeconômico e ambiental, posturas dos governos, convivência e padrões de comportamento das pessoas.

O trabalho em seu sentido amplo, que envolve tudo relacionado ao trabalhador, ao empregador, sistemas econômicos, esses obviamente, não poderiam estar imunes diante dessa inflexão histórica que vivenciamos em tempo real.    Por isso, no âmbito financeiro, diante das constantes ameaças de colapso total da economia, muitos países estão adotando medidas massivas de intervenção, isso para a preservação direta de postos de trabalho e renda em todos os setores, público, privado, autônomos e assalariados.

Surpreendentemente, a crise abriu os olhos acerca da importância e da imprescindibilidade desse lado mais humano laboral, para a geração de riqueza, gerenciamento e formação da economia.   Na esteira de uma profunda reflexão acerca das antigas visões de mundo, até mesmo o distanciamento social, fez com que as pessoas se aproximassem como nunca antes visto, exatamente esse pleonasmo literário que você leu. Essa aproximação se deu através de uma grande dissipação de plataformas de relacionamento e que se evidenciaram ainda mais, algumas já conhecidas, e outras que foram criadas no decurso do distanciamento.

Nesta esteira, ao longo das últimas décadas até recentemente, algo que vinha andando a passos de formiga e sem vontade, já dizia o poeta, no tocante a ascensão tecnológica, de repente dá um salto quântico, aniquilando paradigmas e pensamentos ultrapassados, varrendo a predominância de ideias que proclamavam a obsolescência desse avanço, e inexorabilidade no que diz respeito a substituição e utilização das novas tecnologias em todas as áreas.

Mais do que nunca, percebemos a extrema importância e a necessidade de nossa relação com o trabalho, há uma necessidade imensurável de perceber e entender o trabalho como algo vital para a sociedade, e para que possamos também entender o atual momento de desafios diários.

Ao falarmos do dia 1º de maio, devemos vê-lo como um dia de comemoração das conquistas realizadas pelos trabalhadores através de suas lutas e reivindicações por melhores condições no que diz respeito ao trabalho, eventos marcantes e de extrema importância e que devem sempre ser lembrados.

O tempo é de profundas incertezas e clama por mudanças significativas do cenário atual, no entanto o Brasil através de sua Constituição Federal e das normas internacionais integradas, não apenas são capazes, mas dão respostas eficientes para o enfrentamento da crise e a posterior readaptação ao novo panorama global e a nova mentalidade do trabalhador frente ao novo mundo do trabalho.   Mas para que tudo isso funcione da maneira correta e eficaz, é indispensável que os integrantes do sistema judiciário, juntamente com os responsáveis pela política pública, não percam de vista o compromisso sólido e responsável, em aplicar a Constituição Federal da República de maneira efetiva, abrangente e em prol da sociedade, sobretudo no fator humano do trabalho, caminhando para uma sociedade renovada, justa, solidária e livre.

Sem dúvidas esse dia 1º de maio será em essência diferente de todos os outros, mas tão semelhante a tantos já vividos, de muitas lutas, reflexão, mas acima de tudo, o resgate da coletividade.

 

Ganderralles Nascimento de Jesus

OAB/PR 101.749

Comissão de Direito do Trabalho

 

 

 

REFERÊNCIAS

https://www.ilo.org/brasilia/temas/covid-19/lang–pt/index.htm

https://www.bbc.com/portuguese/geral-52494236

https://www.ufrgs.br/coronavirus/base/1o-de-maio-pesquisadores-da-ufrgs-refletem-sobre-o-dia-do-trabalhador-em-meio-a-pandemia/

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/por-que-1o-de-maio-virou-o-dia-do-trabalho/

https://www.anamatra.org.br/imprensa/anamatra-na-midia/29770-artigo-trabalho-e-trabalhador-em-tempos-de-pandemia

http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=861

https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/29376

 


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