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02
dez

Dia da Advocacia Criminal – Por Sueli Martins de Oliveira Krüger, Presidente da Comissão da Advocacia Criminal


Os dias e as noites do advogado e advogada criminalista são imprevisíveis, nunca sabemos como o nosso dia terminará ou amanhecerá, não tem hora, lugar e momento certo para o telefone tocar e a busca incessante pela garantia da liberdade e dos direitos da pessoa humana daquele que clama ser respeitado, trabalhamos sem cansar ou desistir, debruçados no conhecimento e damos o melhor e mais minucioso possível olhar e técnica para amparar o desamparado pelas instituições.

É lutar dia após dia, pelo respeito ao ser humano, ainda que aquele ou aquela tenha cometido o pior dos piores erros, não cabendo a nós advogados criminalistas o julgamento, mas sim lutar, e dar o seu melhor.

É lembrar entre uma atividade e a outra, uma tese de defesa, um erro processual, uma prova ilícita ou uma nulidade, sim, trabalham nos erros e na condição de “já condenados”. É ler incansavelmente o processo por diversas vezes, anotando tudo, a ponto de decorar o que contém em cada página, argumentar, perguntar, explorar todas as circunstâncias de como o fato se deu e está sendo abordado.

Muitos pensam que a vida do advogado criminalista, é como a de qualquer outro profissional, ledo engano! Sua atuação poderá mudar em instantes, basta um chamado, uma operação policial, uma diligência urgente no presídio, delegacia, e sua “programação”, ou o que era para ser um dia calmo, se transforma em segundos de minutos, e será necessária uma reprogramação em tempo recorde, pois todas as demais tarefas também deverão ser cumpridas. Quem dera para nós, o dia tivesse 36 ou 48 horas!!!

Além disso, os prazos são diferentes, contam em dias corridos, sim, isso mesmo que você pensou, o criminalista poderá passar o final de semana, um feriado prolongado preparando uma defesa, ou para audiências. A chance é única para o seu cliente, ele apostará todas as fichas, no advogado que contratou ou foi nomeado defensor pelo Estado.

E ainda há quem diga que o advogado criminalista é dispensável pela sociedade, no pensamento de muitos somos mesmo, e isso pouco importa, mas para a justiça somos completamente indispensáveis, bastando uma simples análise e lembrar que algo possa acontecer ou já aconteceu na sua família, com seu filho, filha, pai e mãe, ou um vizinho que tanto gosta.

Hoje o direito daquele está sendo ferido, amanhã poderá ser o seu, dos seus conhecidos, direitos dos próprios advogados são diariamente violados (também somos humanos, e imperfeitos), e a tal dispensabilidade cai por terra e vem à tona o discurso contrário, e cai no esquecimento que tantas vezes julgou alguém e logo começará a buscar por aquele profissional que tantas vezes apontou os dedos como o dispensável, que apenas defendem bandidos.

Não, não defendemos bandidos, defendemos o direito, a justiça, a equidade e proporcionalidade na sentença e na pena, não buscamos a impunidade, mas a garantia dos direitos e aplicação do que leciona a lei.

Mas não se engane! Você, que julgou e nos apontou o dedo e agora acredita e enxerga o advogado criminalista como um ser dotado de poderes, como o “salvador da pátria”, na grande maioria das vezes, temos nossas prerrogativas, ou seja, nossos direitos feridos e não respeitados em todas as instituições, seja no Tribunal, no presídio ou na delegacia e demais instituições, e ainda se estamos defendendo “bandido”, bandido somos. E assim vamos lutando e enfrentando as dificuldades da profissão, o preconceito e a desvalorização profissional, sendo que somos indispensáveis para conquista dos direitos anunciados, garantidos e não cumpridos.

Agora, falando dos “super poderes”, esses ninguém tira, o poder de conhecimento e desenvolvimento diário, do dom da escrita, da fala e da coragem de lutar incansavelmente por um mundo melhor, uma sociedade mais justa, de entrar no submundo dos encarcerados, de suportar o mau cheiro, e as condições deploráveis em que uma pessoa é submetida, da humilhação que as famílias passam, de ver pais e mães chorar e não se cansarem de perguntar: Onde errei? O que deu de errado na vida? Doutor, Doutora, cuide e solte o meu filho ou filha.

Portanto, cada vez mais reafirmamos a importância e necessidade do profissional da advocacia criminal na sociedade, de profissionais especialistas e humanos, que tenham empatia pelo próximo, de uma advocacia conjunta, honesta e forte institucionalmente.

Advogados e Advogadas Criminalistas, nas palavras de Sobral Pinto “A advocacia não é profissão de covarde”. Portanto, não se acovardem, lutem, mesmo quando tudo parecer não ter jeito e as críticas não construtivas persistirem. LUTE! Não foi por acaso que a vida te escolheu nesta área, sim, somos escolhidos, pois advogar na área criminal são para pessoas fortes, cheias de sentimento e compaixão.

O dia 02 de dezembro foi instituído o dia da Advocacia Criminal, mediante a Lei Estadual de São Paulo 6.067/88, quando advogados criminalistas reunidos fundaram a ACRIMESP- Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de São Paulo, e assim a data passou a ser comemorada em todo o território nacional.

Parabéns Advogados e Advogadas Criminalistas pelo seu dia, e em todos os outros, amanheceres, entardeceres e anoiteceres na busca dos Direitos, da Justiça, da LIBERDADE.

 

Por Sueli Martins de Oliveira Krüger – Presidente da Comissão da Advocacia Criminal OAB/SPJ


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