Notícias

Blog Single Image
09
ago

A MISSÃO DE UM ADVOGADO PAI OU PAI ADVOGADO


Por Thiago M. de Andrade – Conselheiro Subseccional

Àqueles que me conhecem sabem que sempre fui uma pessoa metódica quando o assunto se refere à profissão, em especial no que diz respeito aos prazos processuais, horários dos compromissos, etc. Não bastasse isso, ainda sentia a real necessidade de estar ou se fazer presente fisicamente no escritório diariamente, vez que se isso não acontecesse, sentia aquela sensação de que estaria ‘matando’ o trabalho.

No entanto, com o nascimento do meu pequeno Giovanni, sabia que as coisas iriam ter de mudar, justamente porque este Advogado deixava de ter preocupações apenas com as causas de seus clientes, mas as deixaria em ‘segundo plano’ em razão do nascimento do bebê, que por si só seria mais do que suficiente para mudar a rotina de vida de qualquer pai ou mãe. 

De fato, a rotina mudou, pensei que seria impossível conciliar, mas estava me adaptando bem, posso até dizer que esperava maiores contratempos em conciliar a missão Advogado e a missão Pai presente, porém, passada a emoção inicial de ter um recém-nascido em meus braços e sob minha responsabilidade, ante a minha total inexperiência, visto ser papai de primeira viagem, aos poucos as coisas foram se encaixando e as tardes de trabalho ou de audiência tinham a sua tensão aliviadas pelo momento em que chegava em casa e abraçava o meu pequeno ou então o buscava na creche e era presenteado com um sorriso sincero.

Tudo corria bem, melhor do que o planejado, mas aí o mundo todo foi surpreendido pela pandemia do COVID-19 – o famoso coronavírus – e aquela rotina da qual estava me acostumando e adaptando foi pelos ares. A missão de ser pai e advogado, a qual até então era dividida entre horário de trabalho em que o bebê ficava na creche e o horário que eu estava em casa e junto com a mãe dele dividíamos os afazeres da missão da Paternidade e Maternidade deixou de existir da noite para o dia. 

Não teve escolha, com a explosão da pandemia no país, não restou alternativa que seguir as recomendações da OMS e da própria OAB-PR no sentido de adotar o Home-Office. E, assim sendo, não havia mais o espaço “escritório”, este passou a fazer parte da minha casa, e, estando ele ‘montado’ em minha casa, e estando a creche fechada desde então, não havia mais o intervalo Advogado no Escritório em horário comercial e Pai Presente após o expediente, afinal, expediente profissional e paternidade estavam misturadas 24 horas por dia, afinal, o bebê faz parte da casa e o escritório é o ‘intruso’. 

Passado o susto inicial dessa nova realidade do distanciamento social e a quase proibição de deixar as suas casas sem que isso lhe acarretasse uma série de preocupações somadas àquelas já existentes anteriormente, o Home Office passou a ser melhor gerido, ou seja, não abandonamos a missão Advogado, porém, a missão Pai, passou a ser mais gratificante.

Justamente porquê, estando 24 horas por dia ao lado do pequeno pude ver ele dar os primeiros passos, acompanhar seu aprendizado diário, participar das brincadeiras, ter ideias para distrai-lo enquanto a mamãe dele cumpria o home office dela, além de poder vivenciar em tempo integral o seu crescimento e evolução como ser humano, e é claro, também ver de perto as ‘artes’ que a criança faz.

Porém, o mais engraçado dessa mistura Pai Advogado e Advogado Pai se dá justamente na adaptação dos horários do escritório, pois agora, peticionamentos são feitos somente quando o pequeno dorme, ou seja, bem cedinho ou no fim de tarde. Quanto aos atendimentos, seja por ligação telefônica ou videoconferência volta e meia são interrompidos ou interpelados por barulhos de choro, risada ou brinquedos barulhentos típicos de crianças pequenas, justamente porque para ele sou só Pai dele, não sou nada além disso.

A foto que ilustra esse texto é a forma mais engraçada do ‘novo normal’, onde estou há poucos minutos de adentrar numa sala de audiências virtual, um ato formal e solene, e, tendo que lidar com os puxões na minha roupa para ‘bincar’ como diz o pequeno, e denota certamente a dificuldade que todos tiveram nesse período de distanciamento social e home office constante. 

Em resumo, apesar dos pesares, das novas incertezas que nos rodeiam quando da missão Paternidade, conciliá-la com a Advocacia em tempo integral, certamente será uma das melhores lembranças que terei em minha vida, pois pude cumprir tão valorosas missões: a de ser Pai e não estar distante na melhor fase da vida do meu pequeno e a de ser Advogado, visto que mesmo dividindo espaço entre os compromissos e a paternidade não deixei de exercer tão valorosa profissão que é a de Advogado.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *